quarta-feira, 1 de abril de 2009

Grupo 0 - Personagem Sumida

Componentes do Grupo: Todos
Gênero - Mulher

5 comentários:

Anônimo disse...

Vanessa nasceu e foi criada em uma pequena cidade de Minas, situada numa região rural, cercada por grandes propriedades e dominada por famílias tradicionais. Forasteiros (de onde? Talvez seja melhor especificar isso) e de origem humilde, seus pais montaram um pequeno negócio que lhes garante algum conforto material, mas não status. Ela é a caçula de dois irmãos, ambos homens. Sua posição social permitiu a Vanessa e seus irmãos travar algum contato com os filhos das famílias mais poderosas da cidade, sempre em condições de inferioridade social, contudo. (Gostei da presença dos dois irmãos, pois justifica mais adiante a relação dela com os homens na república. Por outro lado, não sei se ser a caçula seria interessante, pois caçulas são mimados e, geralmente, muito dependentes dos pais. Sugiro ela ser a irmã do meio, pois o mais irmão mais velho toma conta dos negócios da família, e o mais novo - esse sim, mimado e machista - embora na faculdade, está mais ocupado com as farras. Isso, de certa forma, dá uma quê de revolta a Vanessa, pois as regalias do caçula, e sua visão de mundo, causa conflito com os pais).



Os pais de Vanessa são católicos devotos, conservadores (do tipo que assina revista Veja por convicção ideológica), marcados por uma ética do trabalho duro e profundamente preocupados com sua respeitabilidade diante dos demais. Eles nutriram uma grande esperança no futuro profissional dos seus filhos homens, que entretanto, se viu logo frustrada. O mais velho abandonou os estudos no segundo grau e foi trabalhar no negócio da família. O mais novo cursa Contabilidade numa cidade vizinha, mas se dedica muito mais ao bar do que aos estudos. (Acho as caracterizações da família bem verossímeis, ainda que eu continue achando melhor Vanessa ser a irmã do meio).



Vanessa foi criada de acordo com uma concepção essencialmente doméstica do papel das mulheres. Independentemente de qualquer outra coisa, ela deveria ser uma mulher prendada - do tipo que sabe cozinhar, passar e costurar - constituir um bom casamento e ter filhos. Zelosos de sua respeitabilidade, os seus pais sempre foram superprotetores em relação a ela, e se pudessem, a teriam sempre por perto.



Contudo, desde cedo ela se destacou nos estudos e sua aprovação no vestibular para uma faculdade pública de Niterói provocou admiração entre o círculo de amigos dos seus pais. Esta situação provocou um dilema: embora apavorados diante da possibilidade de deixá-la "solta" em uma cidade distante - quanto mais uma "perigosa" cidade do grande Rio - eles tiveram que ceder à evidência de que, muito mais do que seus irmãos, Vanessa representava a melhor chance de concretização dos seus sonhos de construção de respeitabilidade social através do trabalho. Por este motivo, eles aceitaram pagar a estadia de Vanessa em Niterói a uma vida regrada e um bom desempenho nos estudos. (Essa caracterização contribui para um elemento muito importante em nossa trama: por mais que os pais tenham deixado Vanessa ir para a faculdade, eles mantêm uma espécie de vigilância constante e velada. Ou seja, por mais que percebam - inclusive, pelo próprio discurso auto-afirmativo de Vanessa - que ela alcançou certa independência no pensamento e nas relações interpessoais, o fato de eles ainda a sustentarem faz com que haja uma obrigação, um modus operandi para a filha: ligar regularmente para casa, prestar conta das notas e dos projetos em que se envolve, etc.).



Ao contrário de seus pais, Vanessa jamais se identificou com os valores conservadores e com uma concepção rígida de papéis sociais masculinos e femininos, e logo viu nos estudos uma chance de auto-afirmação.



Para Vanessa, a ida para Niterói se tornou uma experiência de liberdade e descobertas que o ambiente de sua cidade e de sua família lhe negavam. Coisas como chegar em casa de madrugada, vinda de um bar, ou passar a noite com o namorado. Ao mesmo tempo, esta liberdade tinha como preço manter um bom desempenho escolar. A experiência da liberdade fornecia a ela um grande motivo para se dedicar aos estudos, e esta dedicação freava os excessos no usufruto dessa liberdade. Nada exagerado. Ela bebia, mas não constantemente. Provou maconha e drogas sintéticas por curiosidade, mas jamais fez uso regular delas. Enquanto solteira, ficou com um número razoável de rapazes em festas, mas era cautelosa e seletiva em relação ao sexo propriamente dito. No plano afetivo manifestava uma certa ambiguidade. Por um lado, professava a sua fé num ideal romântico de relacionamento e se demonstrava algo carente no plano afetivo (até por sentir saudades de casa); por outro, manifestava algum temor quanto à possibilidade de ter a sua liberdade e principalmente sua carreira profissional restringidas por um relacionamento deste tipo. Esta ambiguidade produziu algumas tensões no relacionamento com seus namorados. (Essa relação ambígua, muito comum em jovens estudantes longe do lar, é ótima. O limite entre afeto e obrigação é catalisador de diversas tensões não só com os namorados, mas com os próprios pais, que costumam fiscalizar - ainda que Vanessa não dê muito espaço para isso - os relacionamentos dela. De fato, os pais têm muito medo que uma paixão deslumbrante tira Vanessa do foco nos estudos, e isso se torna uma questão sempre que os pais acham que ela poderia ter feito algo melhor do que realmente fez.).



Estava no terceiro ano do curso de Biologia, no qual logo se destacou pelo seu desempenho acadêmico. Muito esforçada, era querida por um bom número de professores. Fôra monitora no segundo ano e agora tinha uma bolsa de iniciação científica, o que muito orgulhava seus pais. Além disso, tais bolsas providenciavam a ela recursos próprios para viver em Niterói, e portanto, um pouco mais de autonomia em relação a seus pais (uma vez que não tinha que prestar contas a eles sobre o uso deste dinheiro). Atualmente trabalhava no laboratório da professora X. (Acho bom ficar claro que, embora ganhe o dinheiro da bolsa, ele ainda é muito curto para Vanessa bancar sua estadia só com ele - o que, de fato, é bem verdade. Os pais continuam auxiliando com dinheiro, o que estabelece as tensões das quais falei anteriormente. Além disso, tenho uma questão: será que pais conservadores do interior de Minas vão apoiar e se orgulhar da filha que faz Biologia? Acho uma questão crucial, pois, geralmente, pessoas mais conservadoras costumam se orgulhar de médicos e advogados, não acha? Cursos como Biologia, Farmácia e Fisioterapia costumam parecer uma segunda opção para quem não passou em Medicina - especialmente, para pessoas conservadoras. Pois, afinal, o que fez Vanessa decidir por Biologia? Era o que ela realmente queria? Para nós, a vantagem da Biologia é a idéia de laboratório e de pesquisas com cobaias, medicamentos e coisas assim. Acho que uma solução, para a nossa caracterização da personagem, é colocar que Biologia sempre foi o desejo de Vanessa, e os pais, inicialmente, puseram muita resistência, já que não era um curso tão respeitado. Além disso, como bióloga, Vanessa jamais retornaria para o interior de Minas, onde dificilmente conseguiria trabalho. No entanto, pela falta de interesse dos outros filhos em estudar, e aventando a possibilidade de Vanessa ganhar status por seu trabalho, permitiram a ida dela à faculdade.).



Inicialmente morou num albergue exclusivamente feminino, que os pais fizeram a questão de conhecer e aprovar por ocasião da sua matrícula. Com o passar dos anos, ela passou a desfrutar de mais autonomia e acabou indo morar em uma república mista. Os pais odiaram, mas a esta altura da vida, trazê-la de volta não era tão fácil, até porque o desempenho acadêmico era motivo de orgulho para eles. Para ela, dividir o apartamento com rapazes era uma experiência interessante. Achava os homens tão divertidos quanto imaturos, mas basicamente gosta da sua companhia. Em alguns aspectos, o ambiente predominantemente masculino da república lembrava sua casa, particularmente seus dois irmãos. Tampas de privadas levantadas, meias jogadas na sala e o comportamento inconveniente típico dos bêbados contumazes não lhe agradavam, mas não lhe eram de modo algum estranhos à sua vida familiar e, portanto, inconvenientes mas toleráveis. (Muito bom mostrar como a relação com os rapazes na república se assemelha com a dos irmãos. Acho bom dizer que, embora tolere certas atitudes desleixadas dos homens, Vanessa não aceita que de jeito algum invadam seu espaço e sua privacidade, que mexam em suas coisas - tipo comidas no armário e na geladeira. Embora em boa convivência com os demais na república, ela defende imperativamente o seu espaço, seus livros, sua hora de estudos, seus pertences. Fora isso, ela se diverte com todos, ainda que tenha mais intimidade com uns que com outros.).



Vanessa tem atitude e é muito segura intelectualmente, o que tem para ela conseqüências ambíguas. Por um lado, ela se destaca bastante nos grupos que freqüenta. Seu jeito atrai admiração e alguma inveja por parte das meninas que a cercam. No plano estritamente físico é uma menina bonita, mas não particularmente. É pequena e magra, sem atributos físicos que chamem muito a atenção. Porém, sua simpatia e segurança fazem dela uma mulher atraente para muitos homens. Ao mesmo tempo, vários deles se sentem intimidados diante de sua inteligência e da maneira algo enfática como ela expõe seus pontos de vista.

Creio que é isso. Tem uma personagem, com nome, modo de agir, visão de mundo, características em relação ao espaço e aos demais colegas. Agora, é esperar a resposta dos alunos ao perfil (como estamos vendo, uns vão gostar, outros não, mas todo vão querer diferente, cada um a seu modo). Veja os meus comentários e vamos nos falando.

Anônimo disse...

Antes que vocês pensem que estou em um surto psicótico, a la Tarso, convém dizer que esta é a reprodução do diálogo entre Marcel e eu.
Convém dizer que este perfil se beneficiou bastante da leitura dos posts do grupo 1, o que mais avançou na construção do seu personagem. Imagino que ele de algum modo atende às observações feitas pelo membro do grupo e permite formar uma dupla interessante no quarto das meninas.

Emanuel Mourão disse...

Achei satisfatória a escolha deste perfil para a Vanessa. Ao menos, para mim, é ela terá muitas questões com a personagem do meu grupo.

Em fim, vou aproveitar esse espaço para fazer algumas reclamações, já que não há um local determinado para isso no blog.

Caros professores, não sou contra que vocês exerçam uma posição de autoridade. Muito pelo contrário, até apoio crendo ser necessário. Porém, peço que tal função seja exercida com mais sensibilidade. Pego como exemplo a escolha de duas figuras para serem personagens principais, o namorado e a professora. No primeiro caso, creio ter sido grande a votação para que esse personagem não existisse. Sinto que, de fato, se trata de figura que cobre muitos espaços no desenvolvimento da trama, fato pelo qual votei para a sua existência. Porém, vendo os argumentos dos votos contra, sinto que o desejo para que ele não existisse era procurar outras soluções e desenvolvimentos para trama.
O outro caso, o da professora, foi uma personagem inserida inesperadamente, ao menos, para mim e para outros alunos. Se a intenção era trazer um personagem mais velho, que criasse um balanço entre os outros personagens jovens, e ao, mesmo tempo, que trouxesse a possibilidade de tirar um pouco a narrativa do apartamento, tais idéias poderiam ter passado por um debate prévio no blog para que se discutisse as possibilidades de quais personagens poderiam exercer tal função.

Às vezes acho que as aulas são muito verborrágicas, sem muito desenvolvimento para que, vez ou outra, as decisões sejam tomadas muito repentinamente.

Meu objetivo aqui não é mudar o que já foi decidido, o que seria inviável. Contudo espero que minhas observações sejam consideradas para situações futuras.

Grato.

Emanuel Mourão disse...

Agora, falando em Vanessa.
Como já levantaram a possibilidade dessa personagem colocar vídeos na internet, acho que os conteúdos desses poderiam ser de momentos de certa intimidade. Exemplos, vídeos de uma festa em que os amigos bêbados fazem alguma besteira, vídeos dos animais de estimação dela em Minas realizando algum truque e até mesmo vídeos dentro do apartamento com os seus colegas fazendo alguma palhaçada. Em fim, situações bobas, mas que a personagem gosta de expor.

Rafael Cruz disse...

Estou propondo para o perfil do namorado de Vanessa algumas características que apontam para um mistério envolvendo a origem da família dela ou da região de onde ela veio. A relação entre este mistério e o namorado se dá no trabalho dele, onde ele seria o assistente de um importante pesquisador da área (área ainda não definida, porém cogitada - Geologia, antropologia, genealogia...) que leva adiante um projeto, meio controvério entre seus colegas, por isso é mantido um sigilo e, que dada uma descoberta realizada, o namorado de Vanessa rapidamente identifica uma ligação entre a pesquisa e a família dela. Porém, entre os personagens da série (esse pesquisador famoso não precisa aparecer, apenas pode ser citado), o namorado é o único que detêm esta importante informação sobre a sumida.